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Entre sente-se e fique a vontade... o café é fraco, mas a conversa é boa!

28/05/2008

Saudosa saudade...



As luzes do apartamento estavam apagadas e apenas a luz vacilante de um abajur velho sobre uma escrivaninha iluminava o cubículo de paredes brancas, dando um ar retro a toda bagunça no cômodo. A cama nua, no chão, com lençóis e travesseiros amassados como da última vez que se levantou, um armário sem portas que exibia um espelho daqueles de borda alaranjada quebrado, alguns livros e um cabideiro com um chapéu pendurado que parecia observar tudo com um ar de desaprovação.

Cansado pelo dia de trabalho intenso, levantou-se e se dirigiu até a janela daquele décimo quarto andar.

“Você nunca dorme?” – seu pensamento fluiu enquanto via as luzes da cidade e o intenso movimento na rua em plena madrugada. Uma brisa fria tocava seu rosto e anunciava uma manhã gelada. Arrepiou, esfregou as mãos contra os braços poderosos de estivador, fechou a janela e despiu-se. Deitou-se na cama fina sentindo a frieza do chão, mas antes mesmo de pensar em reclamar pôde sentir o cheiro de sua amada no travesseiro e sorriu.

Seu corpo e mente padeciam do cansaço, mas sua alma estava inteira e revigorada pela lembrança dela. “Ah! Minha nega!” – suspirou antes de finalmente adormecer.